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EXPOSIÇÃO TEMPO NOVO

ENIVO

Tempo Novo é pretensioso no nome, mas procede diante da perscrutação que faz. A crítica Anne Cauquelin, especialista em Arte Contemporânea, diz que o tempo que vigora na arte de hoje é pautado por algumas das características empreendidas por esta exposição: um retorno a individualização na arte, ou uma apresentação desta problemática; uma não-distinção entre os gêneros tradicionalmente separados: pintura, escultura, grafismo, recolhendo tudo numa instalação; uma saturação por repetição que anula o efeito da novidade, fruto da ação de qualquer grafiteiro reconhecido pela cidade; enfim, uma indefinição generalizada que impede de falarmos de uma Arte Contemporânea unívoca, capaz de aglutinar o campo da produção artística num conceito.

Ainda que a individualização tenha sido vítima de severas críticas ofertadas pela arte da década de 1970, hoje ela está pulsante na produção da arte de intervir na cidade. No período anterior, quando foram engendradas as questões que absorvem os jogadores da Arte Contemporânea, houveram contrapontos interessantes à busca da expressividade do traço, do sentir para saber, e críticas pertinentes para colocarmos mais “uma pá de cal” sobre o romantismo característico do século XIX. Contudo, a individualização de hoje se dá com novos matizes, exumando e agregando elementos do defunto “romantismo” e atualizando-os, o Enivo carrega na sua trajetória de formação artística o contato com um dos mais românticos de sua geração – Niggaz, o qual, suspeitam alguns, morreu de amor. Porém, não se desconsidera o que foi dito numa problemática recente do campo da produção artística se quisermos avançar na reflexão estética. E esta exposição é uma grande ocasião para verificar em que medida  podemos promover as possibilidades emancipatórias contidas nas críticas da década de 1970, ou não!

Encontrar um estilo, ou um traço fruto de uma manifestação genética, tal qual diz uma dupla famosa ao mencionarem que já nasceram com o que apresentam à cidade sem declarar suas referências, é fato corrente no meio do grafite. Falta agora dizermos que inventar na acepção original da palavra é apenas deixar aparecer o que já estava dado, sendo este dado histórico e não genético, fruto da obra humana ao longo dos tempos e não de indivíduos.

Nas obras do Enivo, vemos várias linhas de dados preexistentes na história da arte, reveladas na abertura que ele promove para distintas possibilidades de fatura e composição da sua obra. A pincelada grossa e os matizes de cores vibrantes reunidas em bons contrastes de Van Gogh; a desconstrução do Cubismo de Picasso, e a moldura ofertada pelos grandes mercados da arte de que a Arte Moderna não conseguiu abdicar; mas é acrescentado um novo dado no curso da problemática, o desafio inexistente no seio da família dos grafiteiros de levar a sério a crítica da Arte Contemporânea que fala que estes artistas ainda não refletiram sobre a passagem da rua para a galeria. Este terreno novo para os grafiteiros da novíssima geração, mas corriqueiro se considerarmos a história do campo desde a geração da Old School de Nova Iorque, é carregado de contingências, difícil de chocar já que venderam até merda em lata falando que é arte, e ainda entregaram o espaço vazio como obra. Então, como acrescentar algo novo neste terreno cheio de vertentes e disputas que já experimentou de tudo?

Estão lançados os dados do jogo. A resposta ao que Enivo realizar na exposição só será obtida com o tempo, mas a recepção imediata ao que ele realizar logo na abertura já poderá perscrutar estas possibilidades...

 

                                                                                                                                                                                                                                                                                           Sérgio Franco

                                                                                                                                                                                                     Sociólogo, Produtor cultural e Pesquisador das intervenções urbanas

                                                                                                                                                                                                                                                                                         São Paulo, 2009

                                                                                                             

A Performance

A Exposição

Fotos: André Bueno e Rodrigo Branco

                                              Março 2009

A Exposição